meu home-office

16.10.09

noto uma tendência crescente em blogs: colocar um minitexto e mil fotos.

como eu não tenho paciência pra catar fotos, dificilmente vou fazer isso. e como estou sem inspiração para textos, a coisa está osca para o lado deste blog.

estou trabalhando em casa, o que torna a minha vida - pauta do blog - meio sem aventuras pra contar. comecei meu home-office com o note na cama, os dois telefones do lado de uma caneca de toddy light, as costas apoiadas em dois travesseiros e duas almofadas e a tevê ligada na caverna do dragão.

a dor nas costas me fez pensar em uma minirreforma. retirei um gaveteiro do quarto, o que implicou me desfazer de umas bizz da década de 90, umas revistas de quadrinhos pornográficos que têm dedicatórias de um amigo pra mim, por alguma razão que desconheço e outros badulaques.

instalei uma prateleira para apoiar o note, ficou lindona e espaçosa.

agora, quando eu entro no quarto, largo todas minhas roupas ali, na prateleira. e continuo trabalhando na cama, que a prateleira tem sem espaço pro note.

madre

30.9.09

inspirada em um texto sobre a vó do cardoso, perdido no meio de um querido diário, resolvi contar aqui uma boa da minha mãe, apenas para lembrar que o mundo pode ser engraçado, e não só feito de pessoas que batem no nosso carro e não querem pagar, mecânicos e homens enrolões e chuva eterna em porto alegre.

mas vamos aos fatos. a mãe nunca andava de ônibus, mesmo com a vó morando no centro, o que torna uma simples visita um martírio completo em busca de uma vaga. em uma certa feita, ela resolveu se aventurar na linha 493 que atravessava a protásio alves do meio para o começo e para(va?) no mercado público.

uma vez no ônibus, cometeu o erro maior dos leigos: aboletou-se na janela. no meio do caminho, um homem visivelmente alcoolizado e andrajoso sentou-se ao lado. numa provável mistura de cansaço e trago, o homem logo pega no sono.

no balancinho do coletivo, ele se aconchega pra perto da mãe, que encolhe seu 1,55m e 50 quilos na janelinha. mais balanço, e o homem encosta a cabeça no ombro dela, que não consegue reagir e aceita a companhia. com mais sacolejo e encorajado por não ter sofrido resistência, o bêbado - que estava carente - estica o braço pra ficar de conchinha com a mãe. aí ela finalmente resolve reagir. tira o braço dele delicadamente e diz "assim também não, né, senhor!"

eu queria ser um poema no ônibus pra ter visto essa cena.

que atire o primeiro molar quem não posterga

12.9.09

ocorre que agora estou tomando três remédios diferentes por conta de uma infecção no dente por puro espírito de "amanhã eu resolvo".

há coisa de uns 15 dias, parte de uma obturação caiu. não dei atenção, e dois ou três dias depois, começou a doer de um jeito que só um dente é capaz. numa sexta-feira, 19h, fui num dentista 24 horas, que abriu o dente depois de cinco anestesias, colocou um medicamento tópico e um algodãozinho e disse: "segunda-feira marca uma consulta pra fechar esse dente".
só que esse pequenino procedimento fez com que a dor parasse. resultado: de demanda urgente, passou a pouco urgente. eu só ia trocando o algodão quando escovava os dentes para fechar o buraco e pensava "bá, tenho que ver isso".
aí, de novo, nesta sexta-feira, saio de um almoço quase que comemorativo com um amigo quando, esperando pelo carro no estacionamento, saco de um chiclete e mastigo. ele deve ter encostado em algum lugar macabro, porque o dente e arredores começaram a pulsar como um coração apaixonado.
por motivos óbvios de vergonha e humilhação, não quis ir ao mesmo dentista que abriu o buraco - não precisava levar um sermão ainda por cima. então, fui em um na benjamim constant que atende emergências. fechado. sigo mais adiante na cristóvão, não havia mais nada. volto para a assis brasil, paro no primeiro que encontro: só trabalham com aparelhos ortodônticos.
nessa altura, duas horas depois da primeira fisgada, já estava considerando a hipótese de pedir a um transeunte que me desse um murro bem colocado no rosto, para que, se o dente não caísse, pelo menos eu desmaiasse. aí, me ocorreu uma clinicazinha na joão pessoa, bem pertinho do JC, entre um mercadinho e um brique, à primeira vista não muito animadora.
mas a dra. paula, um amor de dentista, examinou, constatou que a minha preguiça e relaxamento se transformaram em uma infecção e um tratamento de canal e começou os trabalhos imediatamente, tirando com a mão a dor e me dando este tanto de remédios para tomar. porém, com a consulta já marcada para segunda-feira, 13h30, sem chances de procrastinação.
a lição? só veio à noite, quando, em um tradicional aniversário regado a chope de primeira de um diletíssimo amigo, bebi meio litro de coca-cola.

mc gayver

9.9.09

não lembro se já comentei aqui que a minha mãe não é uma grande cozinheira. também fica dias sem me ligar quando eu ou ela viajamos. não é de dar beijinhos, nem abraços. mas a minha mãe é o mc gayver. para se ter uma ideia, provavelmente o melhor presente de dia das mães que já dei a ela foi uma furadeira.


estou há uma semana sem conseguir carregar a bateria do notebook porque o fio do carregador estava quebrado em algum lugar e ele não funcionava. hoje, comentei com ela que ia ter que comprar outro e marchar em 200 pilas.

uma faca de serrinha, um pedaço de fita isolante e minutos depois, eis-me aqui, escrevendo no note. bonito não ficou, mas funciona que é uma beleza.

como ser imbecil por sms

31.8.09

preciso aprender a controlar minha língua e meus dedos. e antes que hordas de homens se suicidem (HAHAHA), não estou falando de sexo, mas sim de minha absoluta falta de noção.

eis que meu consorte e eu vamos a um bar da cidade baixa. lá, encontro um amigo, que vamos chamar aqui de daniel, aos beijos com uma moça, que aqui será regínia. como ele não me viu, decido mandar um sms engraçadinho para atormentá-lo. "eu estou de olho em ti, gato"

minutos se passam e não obtenho resposta. olho discretamente e vejo que ele está beijando a moça. sem exergar o claro sinal dos céus de que é hora de para com isso, volto à carga: "não adianta ficar aos beijos com outra". novamente, nada acontece. desisto.

instantes depois ele passa por mim e nos cumprimentamos. digo que ele não presta a atenção devida ao celular, já que não viu as minhas sms. ele pega o celular e não há mensagem alguma. descobrimos então que o número que eu tinha como dele não era mais há séculos. atualizei o número, rimos e brincamos que algum casamento estava arruinado por engano, etc.

evidentemente, esqueci do caso meia hora depois. no dia seguinte, sábado, na correria da expointer, recebo uma sms: "um belo dia". não reconheço o número e respondo: "oi?" horas depois, chega a resposta: "hoje você só disse oi! PORQUE (sic)" contra toda lógica, respondo novamente: "por que não faço ideia de quem tu seja. abs"

no momento do send, me cai a ficha; só pode ser o dono do celular do engano. novamente esqueço a história.

domingo à noite, depois de estirar meu pobre corpo exaurido de pernear na expointer, plim plim, uma mensagem. ai, meu saco, o cara de novo. "Olha Abs eu não quero brincar c/ seus sentimentos você pode ser sensível e eu não quero machucar seu coração". e cinco minutos depois: "Olha eu sou casado e amo minha esposa e filha e não quero brincar com os sentimentos de ninguém. um super abraço e tchau J A"

não vou mais responder, estou sofrendo, tomei um fora de um completo estranho. mas pelo menos tornei a vida de alguém mais colorida.

despedida

22.8.09

os meus amigos me odeiam. não posso imaginar outra coisa.

eles me abandonam paulatinamente. primeiro foi são paulo, que carregou renata, emiliano, solon, vicente, mirella, brodt, rafa, fabiano e laura; o andré em brasília; no rio, lizandra, thelma, giusepe; em salvador, a fabi.

depois, o pessoal que vai pro exterior: vicente, que se jogou pro canadá e agora vai pra austrália. o egs, também na austrália; o beto, no canadá; a clarissinha, o presidente, a isa e o roger na inglaterra; a tica em bruxelas; o rodrigo se fresqueando nos EUA. e eu, que achava são paulo longe, comecei a me acostumar com a ideia de ter a metade das pessoas que moram no meu coração distante demais pra dar um upa.

chamem-me egoísta, mas eu não quero que eles sejam felizes nestes lugares. sabe aquela história de "eu te amo
tanto que quero que tu seja feliz, mesmo que seja com outra mulher"? nem vem, comigo, não. se não for comigo, pouco se me dá que seja feliz. e isso vale pra vocês aí, seus abandonadores de amigos.

vicente, que a austrália seja um saco, que um canguru te sodomize e que tu volte logo pra porto alegre. que é uma merda, mas não há lugar como nosso lar.


"é um pagodinho de pedra úmida"

21.8.09

não lembro se já falei sobre isso aqui neste blog, mas isso também não tem a menor importância, já que se escrevi faz milênios e ninguém mesmo vai lembrar. mas adoro entrar no google analytics pra ver como vêm parar aqui os parcos cliquezinhos que recebo. para minha surpresa, a maior parte dos visitantes que brotam aqui via sites de busca procuraram o nome do blog: as pedras do poder. fico imaginando que deve ser um povo esotérico, em busca de alguma mandinga de qualidade. calculem a decepção.


em segundo lugar, outlets, tudo porque lá nos primórdios do blog eu postei uma lista gigantesca dos principais outlets de porto alegre e região, mais pra ter arquivado em algum lugar do que qualquer outra razão. em terceiro, que garbo, que elegância: sauna oasis, que consta do post sobre o show da banda. em quarto, meu nome, clarissa barreto (que tanto nego tá me googleando por aí?) em quinto, e não menos importante, informações sobre o festival da melancia 2008.

mas os menos cotados é que são mais bizarros: alguém, além de mim, tinha dúvidas se diogo vilela é gay (sim, meu caro, fomos os últimos a saber). outro, em busca paz espiritual - ou de herança - procurou pela sobrinha da madre tereza de calcutá (se fosse filha, ia ser mais grave). sujou a calcinha também aparece (lavou, tá nova, minha cara) e até um os reformatórios não reformam ninguém, que deve ter sido extraído de um site de letras randômicas dos engenheiros do hawaii. mas o que eu realmente não consegui compreender foi a busca do termo "é um pagodinho de pedra úmida". aí, realmente complicou. o que será que esta pessoa queria de mim?

20.8.09

visto que me tornei desempreg... EMPRESÁRIA desde meados de julho, pensei que conseguiria manter um certo fluxo de postagens neste mal amado blog. afinal, tanto tempo de ócio (criativo, evidentemente) poderia servir para escrever aqui verdades absolutas, conselhos brilhantes advindos da minha larga experiência de vida, enfim, coisas que poderia compartilhar e que certamente engrandeceriam a vida dos meus 3,2 leitores.


porém, estou absolutamente sem tempo pra nada, exceto trabalhar - mas de segunda a sexta, na hora que eu quero, o que, confesso, é uma delícia cremosa. a única coisa negativa é a postura de macaca grávida que adoto pra trabalhar. uso o note em cima da barriga, deitada na cama, o que, além de me trazer uma dor em partes das costas nunca antes imaginadas, pode me queimar se a maravilhosa* bateria do sensacional* notebook positivo resolver dar pau.

*clara ironia a meu péssimo notebook

a partir do fim de agosto socar-me-ei na expointer pelo bem do jornalismo e do meu bolso, o que me manterá mais tempo de pé e - espero - me endireite as costas.

sem mais para o momento.

crime ecológico

7.8.09


aqui onde se vê uma singela árvore, tinha uma minifloresta. reza a lenda que até macaquinhos tinha.

agora, vai ter o condomínio de classe média remediada no qual comprei o número 905 do prédio figueira. o seu goldzstein mandou uma cartinha dizendo que as obras começaram e já que estava passando, fui lá ver.

quer dizer, no lugar de uma mata virgem, coisas raras, vão brotar ao longo de 2011 seis prédios de 12 andares, no qual me cabem 52 metros quadrados, se não me engano. com piso colocado nas áreas molhadas e uma vaga de garagem.

ok, a pessoa de classe média se preocupa em realizar o sonho da casa própria. mas que me deu uma culpinha de ver isso ontem, deu.

eu diria que.

25.6.09

ia escrever aqui sobre a armadilha que a vida está me criando por me enviar dos céus um namorado que não só não cogita a possibilidade de enforcar um mísero banho num fim de semana gelado como passa pelo chuveiro pelo menos três vezes ao dia, faça chuva ou sol, e eis que descubro que pra variar rolou um transmimento de pensação entre lari e eu. quer dizer, meu blog vai ficar desatualizado para sempre.

socorro

23.6.09

eu estou escrevendo auto-ajuda. e nem sei se é com hífen!

decisão

22.6.09

em vias de tomar uma decisão meio esquisita, e sem ter cara de pedir conselhos, com a ajuda da maíra, que me avisa qual é mais confiável, passo os dias fazendo a única coisa sensata possível: comparando o horóscopo do terra ao do uol.


os de hoje estão especialmente bem diferentes.

Terra

Lua nova em câncer traz a você o inicio de uma nova fase onde suas finanças serão o foco principal de suas energias durante as próximas quatro semanas. Organize-se e não dê nenhum passo sem um prévio e claro planejamento. Faça apenas investimentos seguros, pois você tem agora a chance de reestruturar sua vida material.

Uol

Com quem você vai se desentender hoje? De tanto precisar de atenção, de variedade e de liberdade pessoal, vai entrar em conflito com alguém e pode até se machucar. Evite mesmo manejar instrumentos delicados. Finanças exigem intervenção enérgica e decisões objetivas.

uia, hoje vou de Terra.

snif

16.6.09

dia desses, vi na ana maria braga um vovozinho que implantou um treco no ouvido e voltou a escutar depois de uns 20 anos. ele chorou, mulher chorou, filhos choraram e eu pensei que entendia perfeitamente o que ele estava sentindo, porque eu também fui privada de um dos sentidos por mais de 20 anos. a diferença é que ninguém deu a menor importância. um absurdo, já que tinha uns 25 anos quando consegui, pela primeira vez, respirar pelo nariz.

foi um divisor de águas na vida, explico por quê. parei de roncar como uma ursa, o que foi um ganho para quem dormia comigo à época e para os próximos que virão, se deus quiser. e também sinto mais cheiros e mais gostos, o que nem sempre é bom.

lembrei disso porque adentrei os 30 com uma gripe bonita de se ver. e isso me fez perceber que só há cinco anos sou capaz de fazer uma coisa relativamente prosaica, mas que para mim foi um ganho. aprendi a assoar o nariz - na marra, porque só quem operou o septo sabe o que o corpo humano é capaz de produzir.

não para, não para, não paraaaa, não para, não para, não paraaaa

9.6.09

sou colorada desde criancinha. mas criancinha mesmo, tinha meses quando fiz minha primeira foto com faixinha de tricampeão brasileiro na testa - um dia posto aqui ou não. sofro quando perde, fico feliz quando ganha, tenho mil superstições.

acho a torcida do corinthians um horror. maloqueiros, violentos e generalização é meu sobrenome. mas quero confessar uma coisa. adoro as musiquinhas da torcida corintiana. quando eles gritam que ali tem um bando de louco, não chego a ficar arrepiada, mas acho bonito.

também adoro aquela inspirada n'O Rei. a não para, não para, não paraaaa, não para, não para, não paraaaa não é emocionante, porém tem suíngue, bota o time pra frente.

tava aqui pensando loucamente em como fazer uma metáfora com esse não para, não para, não paraaaa e o monte de coisa que vem mudando na minha vida nos últimos tempos. porém, minha veia david coimbra falhou. mas vamos ver se eu consigo, sem nenhum brilhantismo.

não parar é bom. mesmo sem querer, mesmo sem esperar, a gente não para, não para, não para. ainda bem.

informação nunca é demais

4.6.09

a cada seis meses, mais ou menos, escrevo nesse blog que achava que tinha visto de tudo. mas a vida, essa brincalhona, volta a me surpreender intermitentemente.

ontem, menstruada, já estava sentada no vaso sanitário do banheiro da firma quando me dou conta que o tampax em uso estava cheio e que tinha esquecido o novo dentro da bolsa. por sorte, com o celular no bolso, liguei pra uma colega e pedi que ela mui gentilmente me alcançasse o dito-cujo.

enquanto esperava, pensava sobre o descarte deste tipo de, ahn, coisa. as fraldas descartáveis são um problemão ambiental, donde, caso eu venha a ter filhos, eles terão de usar fraldinhas de pano. isso já está decidido, agora só preciso achar quem as lave.

porém, para a menstruação, não há alternativas, pensei. tanto os absorventes externos quanto os internos são descartáveis e não recicláveis (graças ao bom deus). não há possibilidade de usar uma fralda que fizesse as vezes de MODESS, já que o capô de fusca ficaria gritante.

eis que hoje, no twitter, alguém posta esta dica. agora, tudo está resolvido. pelo menos, no que tange ao meio ambiente. agora, só falta alguém inventar um jeito delicado e discreto de LAVAR ESSA PORRA.

just as noel

15.5.09

esqueçam o que eu escrevi ali embaixo. pelo menos a parte do superfã. afinal, dancei e cantei de olhinho fechado e braços pra cima, como se não houvesse amanhã, em um show de uma banda COVER de MADONNA no ocidente ontem. MELHOR SHOW.

sou uma pessoa absolutamente sem moral, portanto.

divido com vocês uma das músicas mais afudês do mundo, que tinha esquecido completamente. uma lástima.




Express Yourself

Come on girls
Do you believe in love?
'Cause I got something to say about it
And it goes something like this

Don't go for second best baby
Put your love to the test
You know, you know, you've got to
Make him express how he feels
And maybe then you'll know your love is real

You don't need diamond rings
Or eighteen karat gold
Fancy cars that go very fast
You know they never last, no, no
What you need is a big strong hand
To lift you to your higher ground
Make you feel like a queen on a throne
Make him love you till you can't come down

Long stem roses are the way to your heart
But he needs to start with your head
Satin sheets are very romantic
What happens when you're not in bed
You deserve the best in life
So if the time isn't right then move on
Second best is never enough
You'll do much better baby on your own

Express yourself [You've got to make him]
Express himself
Hey, hey, hey, hey
So if you want it right now, make him show you how
Express what he's got, oh baby ready or not

And when you're gone he might regret it
Think about the love he once had
Try to carry on, but he just won't get it
He'll be back on his knees
To express himself [You've got to make him]

sauna oásis*

13.5.09

creio que não possa mais frequentar shows. aliás, do jeito que ando rabugenta, em breve não poderei mais frequentar nenhum lugar público, estou pensando em mudar o nome desse blog para "as pedradas". mas a verdade é que em shows se vê o pior e o melhor do ser humano.  o melhor é a linda catarse coletiva, onde todos se abraçam em comunhão. mas é só. 

porque tenho uma falta de sorte tremenda e invariavelmente fico perto, bem perto, do superfã. você o conhece. é aquele cara que sabe todas as letras da banda de cor. que canta de olhos fechados, a plenos pulmões, e não te deixa ouvir a banda. que toca air guitar, drums, teclado, oboé. ao mesmo tempo, se possível. que ergue os braços e lança olhares significativos para o palco, acompanhados de um meio sorriso, como se só ele entendesse o que o vocalista quer dizer naquele verso. 

ontem, no show do oasis, não seria diferente. esse cara estava personificado no homem mais magro que já vi. que cantava fazendo poses que imitam o liam gallagher, ou seja, posições bizarras que só ficam bem para o próprio liam (e olhe lá). ele tinha uma namorada muito participativa no começo. a moça fotografava e filmava as poses bisonhas. porém, ante o total descontrole do consorte, ela foi murchando, murchando. para a maria, ela começava a ficar com vergonha. imagino que deva ter piorado quando o rapaz tomou o controle dos braços dela e começou a tocar air drums de dupla. qualquer júri a absolveria se ela o matasse.

outra coisa que está ficando incontrolável é o desespero coletivo de fotografar a filmar. "eu no show do oasis" deve ter aparecido em 12 mil álbuns do orkut ontem perto da 1h, quando o pessoal conseguiu chegar em casa. as pessoas não olham mais para o show. elas querem que outras pessoas as vejam lá. e tome fotos. os que veem, o fazem através de um visorzinho de câmera digital, que filma numa qualidade pífia. mas eles terão aquele registro muito pessoal do show. tão pessoal que não dá pra ter a menor ideia de quem está no palco ou o que estão cantando, em função da baixa qualidade. mas isso não tem a menor importância. afinal, "a galera viu que eu tava lá". 

viram como estou rabugenta? agora eu queria contar que o show foi ótimo, que a qualidade do som foi muito boa, que as cadeiras do gigantinho são o melhor lugar de porto alegre para ver um show deste porte. que dá pra derrubar um chiclete e comer do chão do banheiro do gigantinho, de tão limpo que tava (atenção, eu não fiz isso, é só uma hipótese). mas não tenho a menor inspiração, gastei toda ali em cima. 

*não estava quente, mas eu queria TANTO fazer esse trocadilho. obrigada pai, mãe, amigos e professores. 

a bruxa está solta

10.5.09

de modo que ando com uma dor de ouvido e de cabeça persistente há coisa de duas ou três semanas. quando era só a cabeça, achei que finalmente ia realizar meu sonho de usar óculos - até a última ida ao oftalmologista, uns dois anos atrás, desgraçadamente fui elogiada pela minha capacidade de ver com perfeição. mas quando o ouvido se reuniu à testa e à nuca, descartei a possível cegueira e aguentei bravamente por três dias. na quarta noite em claro - por que dente e ouvido dóem mais à noite? respostas nesse guichê -, decidi que agora chega e que ia finalmente ao médico, coisa que protelei por dois motivos: meu plano de saúde da firma é da ulbra (auto-explicativo) e não tenho outro, de forma que teria que pagar para descobrir o que me afligia. 

eis que 90 reais depois - pagamento adiantado, faz favor, moça - entrei no consultório do médico, que perguntou qual o problema, descrevi a dor de ouvido, sentei na cadeirinha do doutor de bigode e ele jogou água oxigenada no ouvido para aspirar. 

aqui cabe uma pausa. sou meio surda, daquelas que respondem "ahã" se o interlocutor pergunta se eu prefiro azul ou vermelho. portanto, adoro quando me aspiram os ouvidos, porque um novo mundo de sons se descortina, ou ainda, se destampa pra mim. só que é um constrangimento, porque cera de ouvido é um troço nojento e se equivale a - desculpem a palavra - ranho no meu entender. então, não tem como não ficar com vergonha quando o médico fica cavoucando dentro da orelha da gente e tirando meleca. fim da pausa. 

depois de ferver a água oxigenada dentro do meu ouvido, o bigodudo enfiou a mangueirinha lá dentro e começou o slurp. para meu embaraço supremo, ele resolve me MOSTRAR a obra que saiu de dentro do ouvido, que ele carinhosamente chamou de "rolha". fez o mesmo processo no outro ouvido que não dói e me disse para não usar cotonete, etc etc. 

porém, ai, porém não tinha nenhum problema no meu dolorido, e agora limpo, ouvido. nada de infeccção, machucados ou objetos - um dia soube de uma mulher que tinha um grão de ervilha no ouvido desde criancinha, quando mergulhava na tulha, e só veio a saber e extrair na idade adulta. 

e o ouvido seguia doendo. após um longo questionário e de segurar meu maxilar com as duas mãos, veio o diagnóstico: mordida cruzada e bruxismo. o ranger de dentes durante a noite acabou por gostosamente afetar cabeça e ouvido. saí de lá com a dica de tomar paracetamol e abafar o ouvido com uma toalhinha aquecida. isso é que se chama de colocar panos quentes na dor. 
pois agora, neste momento, sigo com dor de ouvido e cabeça, 90 reais mais pobre e tomando neosaldina. mas marquei dentista para amanhã, sem falta. 

esquerda e direita

6.5.09

como os homens, dificilmente eu paro para pedir informação; só se estou muito atrasada para chegar a algum lugar. normalmente, tenho a certeza inabalável de como alcançar meu destino. lógico que nunca tenho e isso me faz gastar mais combustível e mais tempo. 

lari e eu costumamos chamar essa técnica de se perder nas redondezas de mamorad, em uma singela homenagem à clínica de diagnóstico por imagem localizada na bela vista, na frente da qual passamos talvez dezenas de vezes no mesmo dia, em busca de um endereço. 

entre duas estradas, (quase) sempre escolho a equivocada. o problema é que eu não paro pra pensar. me atiro no que, pra mim, grita de tão certo. porque errar não é problema para esta que vos fala. problema pra mim é parar numa encruzilhada e perder tempo pensando se vou pegar a esquerda ou a direita. 

não custa nada, quando a gente entra do lado errado, fazer um balão e tomar outra rua.  o caminho fica mais comprido, é verdade. em compensação, a gente vê mais paisagem, ouve mais um pouquinho do cd, estica a viagem. 

aquela... casada com o outro...

26.4.09

minha vida virou um grande jogo de imagem & ação. 

as conversas estão ficando impossíveis: fui num show no pepsi on stage. ah, é? qual? aquele... daquela banda... que tem uma mulher vocalista de cabelo ondulado. ahn... a joss stone? não, não, completamente diferente, é de rap, acho. ah... acho que sei. aquela...! que tem aquela música assim, tarãrãrã. ... ah! black eyed peas!

e assim andamos uma casa e joga-se o dado de novo.

não é velhice, é genética. meu pai é assim há anos, muito antes de estar próximo dos 60. é, literalmente, uma herança. ele também vê conhecidos e semelhanças onde não existem, no que também me identifico sobremaneira. e não vem só do pai. a mãe é piada em casa por causa d' O homem. o homem é fonte de todas as informações que a mãe divide conosco. "o homem disse que a gripe suína já matou uns quantos." o futuro não me parece muito promissor. 

(e falando em literalmente, li no twitter do eduardo lorea - um dos que eu vou apontar um dia (se eu ainda lembrar) quando estiver lendo jornal no asilo padre cacique e dizer "esse foi meu estagiário" e nenhum outro velhinho vai acreditar (ou ouvir) - que neste blog que me parece que é dele há um tratado sobre o uso figurado do literalmente. vale a pena.)